A dualidade da pena

•Novembro 29, 2009 • 2 Comentários

Não sabemos por que cegamente marchamos,
Morremos como a noite com o sol que aponta o dia.
Temos muito pouco e ainda assim sonhamos,
Como se toda imaculada fosse chamada Maria.

Virgem Maria, sábio Pessoa.
Quem vale mais?
Uma virgem que dá pena
Ou um poeta e uma pena boa?

Testemunhamos os conflitos dentro da camada ética,
Ficamos mudos frente às oscilações triviais,
Retorcemos-nos como uma borboleta epilética,
Forçados sorrisos em sofismas – Falácias joviais…

Virgem Maria, sábio Pessoa.
Quem vale mais?
Uma virgem que dá pena
Ou um poeta e uma pena boa?

Pensamos que toda sabedoria vem dos sábios,
Nem cogitamos que o que vale é uma vida à toa…
Mensagens de outros mundos pelos rádios…
Sabendo que nem todos os poetas têm o nome de Pessoa…

Virgem Maria, sábio Pessoa.
Quem vale mais?
Uma virgem que dá pena
Ou um poeta e uma pena boa?

Marcelo Belini

Vai e diz

•Novembro 29, 2009 • Deixe um comentário

Vai solitário vento
Em um bravo rebento
E diz a ela que estou aqui…
Vai e diz
Que aquilo
Que eu desejo
Sei que ela
Também deseja
E que aquilo
Que ela cobiça
É aquilo
Que eu mais anseio
Vai estrela iluminada
Em sua vida vã e amargurada
E diz que ainda não esqueci…
Vai e diz
Que aquilo
Que eu desejo
Sei que ela
Também deseja
E que aquilo
Que ela cobiça
É aquilo
Que eu mais anseio
Vai de poesia ou vá a prosa
Do jeito que eu sei que ela gosta
E diz que ainda a espero…
Vai e diz
Que aquilo
Que eu desejo
Sei que ela
Também deseja
E que aquilo
Que ela cobiça
É aquilo
Que eu mais anseio
Vai sagrada e insana música
Mãe de toda alegria e angústia
E diz que do mesmo modo a quero…
Vai e diz
Que aquilo
Que eu desejo
Sei que ela
Também deseja
E que aquilo
Que ela cobiça
É aquilo
Que eu mais anseio
Vai assim ou de qualquer maneira
No logro, na magia ou na brincadeira
E diz que a vida é uma passarela…
Vai e diz
Que aquilo
Que eu desejo
Sei que ela
Também deseja
E que aquilo
Que ela cobiça
É aquilo
Que eu mais anseio
Vai mesmo ou vai mesmo atrasado
No lado certo, no avesso ou no errado
E diz que a vida só é vida se for ao lado dela…
Vai e diz
Que aquilo
Que eu desejo
Sei que ela
Também deseja
E que aquilo
Que ela cobiça
É aquilo
Que eu mais anseio

Marcelo Belini

Contraste

•Outubro 22, 2009 • Deixe um comentário

Ao anoitecer a felicidade me rompe, pois tenho em minha presença a agudeza dos grandes mentores da humanidade. Ao amanhecer tenho que suportar toda hipocrisia e mediocridade antropomorfoseada…
Isso acabará por matar-me…

Micro manifesto Anti-deísta

•Outubro 14, 2009 • Deixe um comentário

Todos aqueles que crêem escarram em nossas faces (faces daqueles que se revestem de um espírito superior, seres que se opõem a todo tipo de especulação sobrenatural) a fé decadente que leva a cegueira e conseqüentemente à loucura desgarrada e impiedosa.
Por que não começarmos a rebater tal disparate, nós possuidores de consciências esclarecidas e lúcidas? Por que não utilizarmos respostas óbvias de repudia e escárnio? (agindo deste modo, não estaríamos nos rebaixando ao nível ignóbil deles?)
Que triunfe então a coerência relativa ao intelecto humano!
Claro que conseqüentemente, muitos serão os sofismas infundados e muitas (e também as mesmas) considerações seculares falaciosas que nos norteiam desde sempre.
Esperamos que ao final desta jornada contra tudo que leva a humanidade a um patamar de espécie inferior seja descartada deste mundo, pressupondo que a razão (base de toda lógica e ciência e mantenedora da filosofia) sobreporá a tudo que é deplorável no espírito humano.

Marcelo Belini

Ode ao Niilismo

•Setembro 26, 2009 • Deixe um comentário

Vontade de nada…
Dor que vem e acaba.

Um período. Um devir…
Grotesco instante: spleen.

Desgosto, irracionalidade…
Hipocrisia é somente lealdade.

Nada, absolutamente nada
Faz sentido.
Mas se não o fizesse, nada, absolutamente nada
Far-se-ia compreendido…

Que se aproxime a eternidade e sua escuridão irreflexa.
Pois nada lembrarmos mesmo.
Qual é a tua preocupação então?
Deus ou o diabo?
Em verdade tanto faz…
Os dois são apenas marionetes de desejos humanísticos.

Sentimentos flácidos e ocos…
Futuro? Faz-me rir, insano, doente, carcomido e louco!

Lugares a percorrer…
E o único desejo: Morrer! Morrer! Morrer!

Nada… o que é?
Se for já não serás…
Se não for, ninguém saberá…
Se souberes, acabara de arquitetar…
Canalha! Bruto! Barbárie!

Cala-te ou morre somente…
Ou então melhor: Viva intensamente!
(Mal sabe ele que o melhor seria morrer!)

Marcelo Belini

Polimunditeismo

•Setembro 26, 2009 • Deixe um comentário

Um dia eu parei para contar
Quantos deuses existiam no mundo…

Mas desisti.

Muitos deuses para pouco lugar
Muitos deles eram vagabundos…

Então eu ri.
Ri muito. Ri como riria um deus…
Ri a gargalhada de mil deuses.

Mas…

… O riso é uma coisa mundana!

Marcelo Belini

Notas de uma tarde fria

•Agosto 3, 2009 • 1 Comentário

Do inferno astral que me acompanha,
Finjo sentir felicidade.
Das dores em minhas entranhas,
São, padeço em enfermidades…

Banho-me em teu respirar,
Que por ventura recordo.
Sufoco-me em teu paladar…
Nas águas Aqueronte acordo.

Que pacto é este interessante,
Que pelo bem se trai?
Que sensação, ora inebriante,
Que pelo tempo se esvai?

Que maldita distância de mim,
Insisto em me colocar…
Embora não seja sempre assim,
Ponho-me a blasfemar…

Não mal-digo os terceiros…
Não mal-digo os fatos,
Mal-digo o que em mim se fez verdadeiro…
Mal-digo em vós o que aprecio fraco.

Autonomia? Liberdade?
Amor? Compaixão?
De um lado a prosperidade,
Do outro a castração.

Gostaria de poder dizer amém…
Mas creio que nunca pude.
Espero que de mim se afastem,
Todo populacho tolo e rude.

Marcelo Belini

Escrita póstuma

•Agosto 3, 2009 • Deixe um comentário

Assim como os demais,
Este meu escrito nasceu finado…
Não o quero agora, não o quero jamais!
Não tem métrica, é desfigurado.

Embora esquecido,
Vale ser lembrado…
Criado antes de lido,

Com o velho olhar desconfiado.
Fruto de um ócio esquecido,
Fonte de um ofício marcado.

Com o dom de quem me dera tido,
Como o pecado ao abençoado…
Sem forma, sem nexo e sem sentido…

Figurações de um espírito condenado,
Estacado como se tivesse partido,
Traços de um compasso descompassado…

Surge como o filho prometido,
Tão útil quanto um relógio quebrado…

Marcelo Belini

Invenção

•Agosto 3, 2009 • Deixe um comentário

Tentei fazer uma história alegre,
Acontece que não consegui…
Parece tão fácil para quem consegue,
Lamento, mas, isso não é pra mim…

Tentei compor uma música que falasse de amor,
Acontece que falhei…
Parece fácil ao hábil compositor,
Novamente com as mãos vazias me encontrei…

Então inventarei em minha tristeza, a felicidade,
Trazendo comigo a solidão…
Sem saber que com isso expulsei a saudade,
Contudo perdi minha salvação…

Marcelo Belini

Invenção

•Agosto 3, 2009 • Deixe um comentário

Tentei fazer uma história alegre,
Acontece que não consegui…
Parece tão fácil para quem consegue,
Lamento, mas, isso não é pra mim…

Tentei compor uma música que falasse de amor,
Acontece que falhei…
Parece fácil ao hábil compositor,
Novamente com as mãos vazias me encontrei…

Então inventarei em minha tristeza, a felicidade,
Trazendo comigo a solidão…
Sem saber que com isso expulsei a saudade,
Contudo perdi minha salvação…

Marcelo Belini

Poema indigesto

•Agosto 3, 2009 • Deixe um comentário

Muito esperei
E você passou…
Muito sonhei
E você despertou…
Me desesperei
E você não notou…
Me transformei
E você se transformou…

Muitas palavras,
Pouca conversa…
Verdades e farsas,
- Mas afinal, que “porra” é essa?
Nem sei do que falo
E minha cabeça dói…
Mas, sinto que calo
Em uma prosa que se constrói.

Nada esperei
E você regressou…
Nada sonhei
E você suspirou…
Nunca me desesperei
E você comentou…
Não me transformei
Mas você sim se transformou…

Outras palavras, novo assunto.
Novas indagações, a mesma festa…
Mais uma vez em silêncio, eu pergunto:
- Mas afinal, que “porra” é essa?

- Que “porra” de poema é esse?

- É um simples poema, “caralho”!

Apenas obscenidades indigestas…

Marcelo Belini

Sendas obscuras

•Julho 11, 2009 • 1 Comentário

“Sou um homem doente… um homem mau. Um homem desagradável”.1

Marcho como se fosse anatemático…
Fujo como se esquivasse de mim.
Há muito não sei se sou fiel ou fanático,
Apenas recorro àquilo que não provém de mim…

Fui excomungado de meu próprio paraíso…
Embora chorasse por não perder tanto.
Capaz e criado exatamente para isso…
Para ser uma antítese de um mártir ou santo!

Sempre detestei aquilo que acalma…
Estou sempre na contramão da idéia principal…
Caminho para ser ferido na alma,
Todavia nenhum ferimento é fatal.

Embebedo-me com fragmentos alheios,
Não percebo que isso me afronta…
Sabendo que jamais algo preiteio,
Ainda que a metafísica me corrompa.

Blasfemar já se tornou um padrão…
Maldizer deus já não tem mais graça.
A fé já não é mais a única salvação,
O correto é devorar a hóstia e cuspir na taça.

Lavo as mãos com o sangue que me devora,
Escrevo com lágrimas e luto…
Vejo aquilo que com o tempo não descora,
Que em silêncio total reconheço absoluto.

Sigo as veredas que considero impuras,
Embora soubesse das demais trilhas incertas…
Atraem-me mais as sendas sombrias e escuras,
Que passo a passo meu destino desperta!

Marcelo Belini

1-Início da obra “Memórias do subsolo” de Dostoievski.

Recorda-te

•Julho 11, 2009 • 1 Comentário

“Mas vota ao menos no lembrar saudoso
Um ai ao sonhador…
Deus sabe se te amei… Não te maldigo,
Maldigo o meu amor!…”1

Porque vens de repente,
Num chamado fremente
Desdizer o que fora outrora?
Tenho ainda na lembrança latente
O olhar que se perdeu no poente,
O amor que se desfez na aurora…

A emoção a se desfazer,
Quem me dera morrer…
Assim seja! De amor morreria!
Se o agora o ontem pudesse ter,
Quem sabe cessasse o sofrer
E a saudade não existiria…

Em vão cultivarei a lembrança,
Como um flamejo de esperança,
Onde a canção inacabada dormia…
Onde brinca a eterna criança
Que na inocência canta e dança
Mas que na alma quimera escondia…

Tardou o tempo que nos consome…
Onde todos meus ais gritam seu nome!
Mas eis que chega o anjo que arde:
Deixe isso! Aquilo tome!
Será deus ou será homem?
Já findou! É tarde! Tarde!

A lira que cansada repousou,
Estremecida está, malograda ficou…
Mas que a canção seja ouvida assim…
Donzela querida que o vento banhou,
Que o sol amadureceu e o céu enfadou,
Recorda-te sempre de mim…

Marcelo Belini

1 – trecho de um poema de Álvares de Azevedo

O limite da razão

•Maio 25, 2009 • 2 Comentários

A insanidade ultrapassou seu próprio limite;
Superou-se em perspectiva.
Excedeu tudo aquilo que dissera: – “não existe”;
Elegias em vozear ativa.

O mais extraordinário: a conduta racional,
Insana puramente.
Desvios de um comportamento simples e natural,
Instintivo, latente…

Doente e triste. (Insuportável!) Amável e sensível.
Assim marcha a realidade.
Nunca prestando contas ao invisível,
Na contra mão da suposta verdade.

Meditando acreditei que alcançaria,
Tudo que no mundo há…
Deperdicei momentos em aleivosias,
Para daí então nada encontrar…

Amaldiçoado seja o maldito trovador,
Que tenta dar grafia à pureza.
Maldito seja a fé que culmina em dor,
Ora, mapa do que se deseja.

Marcelo Belini

Pax-Vóbis & Pax Romana

•Abril 3, 2009 • 1 Comentário

Do pacóvio ao doutor,
Traga demência ou equação,
Do iletrado ao professor,
Seja para sempre louvada a razão.

Do entorpecido ao mercenário,
Traga ódio ou paz,
Do enfurecido ao retardatário,
De forma tal e inexata que tanta faz.

Do santo ao maldito,
Traga pedra ou flores,
Do marginal ao bendito
Que a benção convulsione em dores.

Do ancião à criança,
Traga folia ou arrependimento,
Da feliz tristeza à pobre esperança,
Solipsismo, maniqueísmo e juramento.

Marcelo Belini

Solilóquio

•Abril 3, 2009 • Deixe um comentário

Parece que a minha voz nunca foi ouvida,
Sento-me no abismo de meu próprio eco.
Dita-me o silêncio que não sou ainda,
Meu processo eutanásico não está completo.

Marcelo Belini

Agonia dominical

•Março 30, 2009 • 2 Comentários

Domingo é dia de descanso e tranqüilidade,
É dia de arroz com frango e pelada com os amigos.
É o período daqueles que crêem na suma felicidade,
Mas é diferente para mim – é diferente comigo.

Domingo é dia de visita dos familiares,
É dia de repor as energias para a semana que aponta.
É o momento de ajoelhar-se diante dos altares,
Mas é diferente para mim – prefiro aquilo que me afronta.

Domingo é dia de assistir televisão,
É dia de relaxar e aproveitar o sossego.
É o período de suportar Silvio Santos e Faustão,
Mas é diferente para mim – o domingo me dá medo.

Eu posso descrever o domingo com apenas uma expressão:
Um único termo que se anunciado, resumir-se-ia em agonia.
É o meu período de intensa e caótica reclusão,
Estando em meu isolamento, construo minha fantasia.

Marcelo Belini

Amor e exemplos…

•Março 27, 2009 • 1 Comentário

Imagino que Rilke ainda aguarda,
Esperando ardentemente sua mulher,
Apenas mais um encontro com sua amada,
Imaginando mais uma vez Lou Salomé.

Dante ainda percorre o inferno
Atrás de sua jovem imperatriz,
Num grande desespero interno
Tendo em mente a imagem de Beatriz.

Assim como Rilke, também anseio,
E como Dante o inferno percorro.
Na falta da redenção em teu seio,
Às lembranças me atiro em socorro.

Marcelo Belini

Poema utópico

•Março 27, 2009 • Deixe um comentário

Quem me dera escrever em algumas linhas,
Aquilo que fizesse minha alma estremecer.
Ditar uma nova concordância mesmo que mesquinha,
E o resultado todos pudessem tocar e conhecer…

Compor um poema em formato de ode,
Onde o arranjo se compusesse em tom celestial.
Com uma simples leitura matasse a fome do pobre,
E o tirano ao ler se arrependeria e trataria bem seu igual.

Com a força deste poema desafiar a divina escritura,
Opor-se-ia com veemência àquilo que está estabelecido.
Daria um toque divino a qualquer criatura,
Mesmo aquele que já sem razão fora esquecido.

Escreveria frases com sentido e sem sentido também,
Desenharia pela grafia a ternura e a compaixão.
Tentaria desvendar o significado oculto que a vida tem,
Nunca me esquecendo do vasto mar da desilusão.

Palavras jogadas sem a mínima preocupação,
Sortilégios, devaneios e acasos premeditados,
Fazendo sorrir aquele que jaz jogado na solidão,
Deixando de lado o ódio e aquilo que fora antes ditado…

Registraria sem palavras aquilo que quero dizer,
Sem palavra alguma, qualquer um poderá sentir…
Na falta de palavras qualquer um poderá ler,
Aquilo que mesmo não experimentando sempre o quis.

Mas percebo que seriam apenas palavras…
E o verbo no tempo se perde e se esvai.
Como o discurso de quem em vão esperava,
Como a velha utopia que engana e que trai.

Marcelo Belini

Momento

•Março 20, 2009 • Deixe um comentário

Um momento qualquer…
Qualquer significado tem,
Um sorriso de Monalisa mulher,
Não vale nenhum vintém.

Marcelo Belini

Tempo

•Março 20, 2009 • 1 Comentário

Já dizia o filósofo:
-Tempo não existe.
O passado não,
Porque de imediato já acabara,
O futuro tão,
Porque ainda não mostrou a cara,
E presente então,
Porque acabou de passar e ninguém o segurara…

Marcelo Belini

Instante

•Março 20, 2009 • Deixe um comentário

Um mero instante…
Meio milésimo de paz.
Meu “eu” pensante,
Em devaneios se desfaz.

Marcelo Belini

Ontem

•Março 19, 2009 • Deixe um comentário

Ontem acordei deprimido…
Sentido fazia,
Apenas não fazia comigo.

Marcelo Belini

Amanhã

•Março 19, 2009 • Deixe um comentário

Amanhã já não sei…
Se sentido fará
Ou se despertarei.

Marcelo Belini

Hoje

•Março 19, 2009 • Deixe um comentário

Hoje acordei deprimido…
A felicidade se fazia presente,
Apenas não fazia sentido.

Marcelo Belini

Em resposta à mulher amada

•Março 17, 2009 • 2 Comentários

Quantos momentos de minha vida
Ao amor e à paixão dediquei…
Todos passaram como fogo em ferida,
Mas apenas um não abandonarei…

Marcelo Belini

Expressão silenciosa

•Março 14, 2009 • Deixe um comentário

Gostaria de escrever cada vez mais…
Escrever sobre a chegada e a partida,
Sobre encontros, reencontros e despedidas,
Escrever sobre o absurdo da guerra e a razão paz.

Tentaria me expressar sobre alguma ideologia…
Fragmentos de discursos livres e diretos,
Histórias bem ou mal contadas, sujeitos e objetos,
Expressar pensamentos pautados em filosofia.

Adoraria escrever demasiadamente…
Escrever sobre o tempo e aquilo que me fascina,
Sobre aquilo que não me atrai e sobre a causa divina,
Escrever tudo aquilo que acho sadio e doente.

Tentaria me expressar com uma dose de devoção…
Iniciativas vãs de uma atração sublime,
Expressar tudo aquilo que me eleva e me oprime,
Expressar aquilo que calo ou deixo sem solução.

Gostaria de escrever sobre o erotismo e o sexo…
Escrever sobre o pudor que ainda me visita,
Relações incompletas que esta alma habita,
Sobre fetiche, tara, síndrome e complexo.

Tentaria me expressar como o grito de tudo que morre…
Preceitos aceitos e também aqueles descartados,
Escreveria sobre o certo, o avesso e o errado,
Sobre aquilo que não percebo e aquilo que me ocorre.

Adoraria escrever sobre o círculo e a reta…
Escrever sobre o sorriso, a dor e o que sentia,
Aquilo que em mim, vivo, embora, morto jazia,
Sobre tudo que foi dito, mas que esqueceu o poeta.

Eis que escrevo, sobretudo, carcomido e triste…
Acabei por me expressar em forma de louvor,
Como se tudo isso não se resumisse ao amor,
Tendo em vista a vinda logo após que partiste…

Ao escrever silencio-me…

Marcelo Belini

Retrato

•Março 10, 2009 • 1 Comentário

Lembrar de ti
Através de um retrato…
Parece até que sofrer eu não sofri,
Mas que a deixei de imediato.
Representa algo que perdi
Mas que não perdi de fato
Simula algo que vivi,
Como se fosse algo inexato.

Uma simples representação…
Quem me dera fosse ela,
Aquela que invade minha visão
Tão simples e singela
Rompendo com a solidão.

Significação da palavra Retrato: Representação inexata de uma realidade vivenciada… Realidade que poderia ser diferente em seu tempo verbal… poderia ter sido ainda…

Marcelo Belini

Por ela, pelo mal e pelo bem

•Março 8, 2009 • Deixe um comentário

Prossigo acreditando que todos os caminhos me levam a ela,
Seja pelo mal ou pelo bem.
Entre equívocos e acertos, choros e chancela,
É o caminho que ela vem.

Sigo experimentando os aromas de um sentimento natural,
Apesar do mal ou apesar do bem.
Depois de tanto procurar percebi que aroma não há igual,
Igual ao perfume que ela tem.

Presencio a vida num patamar de longo desespero e esperança,
Faça isso mal, faça bem.
Abraço imagens transfiguradas em vaga lembrança,
Vejo aquilo que os olhos dela vêem.

Aquilo que me sustenta decorre dela e por ela sucumbo,
Atraído pelo mal ou pelo bem.
In-feliz, sábio ordinário, menestrel que vagueia pelo mundo…
Aquilo que me sustenta dela provém.

Marcelo Belini

Seria esta uma carta de amor?

•Março 5, 2009 • 1 Comentário

Estou lhe escrevendo não porque a amo,
Não porque a quero.
Escrevo porque em memória lhe chamo,
Sem saber lhe espero.

Escrevo o suficiente para negligenciar,
Para suprir um vazio.
Também escrevo para sem querer lhe lembrar,
Que chorando ainda rio.

Sem saber o que completarei por escrever,
Sinto que esqueço.
A ausência do que me abandona a padecer,
Não obedeço.

O satisfatório é ter idéia do que pode acontecer,
Ou se acontecerá.
Sei que agora depois de terminar de escrever,
Suas mãos este papel tocará.

Na finitude do ato de escrever atinjo a escritura,
Ou sua real intenção.
Deito-te em planos que em minha alma tortura,
E que teus olhos lerão.

Ao leres esta carta, lembra-te da pessoa que a escreve,
Somente uma recordação.
Que estas palavras surjam como uma prece,
E tolerem as lágrimas que virão.

Porque camuflar sentimentos e deixar a vida camuflada?
Porque todo este pudor?
Por fim, minha alegria, minha tristeza… Minha amada,
Seria esta uma carta de amor?

Post-scriptum: creio que escrever seja em vão,
Nada acarretará.
Mas escrevo apenas por escrever, sem argumentação,
Quem sabe ela a lerá…

Marcelo Belini

Improfícua negociação

•Março 4, 2009 • Deixe um comentário

A emoção é sempre arrebatada pela metafísica; uma metafísica aparentemente caracterizada por algo superior e externo a nós.
Esse processo todo acabará acarretando uma “negociação”, uma barganha por um “pedacinho do paraíso”.
A Razão ao se deparar com tal disparate, além de se convulsionar por pena e se contrair em gargalhadas dirá à ignóbil emoção já lograda:
- Aniquila-te! Pois é hoje a promoção no reino dos céus…

Marcelo Belini

Charis*

•Março 4, 2009 • Deixe um comentário

“Encontro pela vida milhares de corpos; desses milhares posso desejar centenas, mas desses centenas, amo apenas um”. Roland Barthes – Fragmentos de um discurso amoroso.

Tomado por uma luz no olhar;
De um corpo que se auto-erradia;
Uma dádiva a se recriar,
Beleza ímpar, suprema, todavia.

Um cálice sereno
Tomado por este torpor,
Como um antigo Heleno
Regozijo-te, Amor!

Addendum: Amor é tacanho e razo; aquilo que me envolve torna-se imensurável, inominável e inaudito.

*Segundo Roland Barthes, Charis para os Gregos significava: Aquilo que de bom emana da pessoa desejável.

Marcelo Belini

Todas fazem-me lembrar de ti

•Fevereiro 26, 2009 • 2 Comentários

Pode até parecer estranho o que eu estou dizendo…
Parece que foi ontem que a conheci,
Era tudo que eu menos queria, mesmo querendo
Todas fazem-me lembrar de ti…

Posso parecer injusto ou que ajo de má fé,
Acontece que carrego-te sempre em mim,
Dentre todas que existem és a Mulher.
Todas fazem-me lembrar de ti…

Tempos atrás deparei-me com um olhar,
Um olhar cintilante, o mais belo que já vi,
Mas como não tecer lembranças e não comparar?
Todas fazem-me lembrar de ti…

Deparei-me outrora com um sorriso,
Um sorriso cativante, o mais belo que já vi,
Mas mal sabe ele que é do teu sorrir que preciso.
Todas fazem-me lembrar de ti…

Num encontro casual
Com um gesto de pureza que jamais vivi
Poderia ser algo normal,
Se todas não fizessem-me lembrar de ti…

Seja no inverno londrino ou no verão de Cuiabá,
Seja na primavera de Lisboa ou no outono de Parati,
Não importa nunca o que acontecerá,
Todas fazem-me lembrar de ti…

Marcelo Belini

Quando estou com você

•Fevereiro 23, 2009 • Deixe um comentário

Talvez esse seja o prefácio de minha história.
Certo que não sou aquilo que gostaria de ser…
Algo acorrentado a minha memória,
Mas que se livra das amarras quando estou com você.

Também não sou… Quando os demais estão presentes,
A alegria, o amor e a satisfação comparecem,
Mesmo minha triste figura estando ausente,
E assim meus pensamentos compadecem…

Minha vida parece um espetáculo teatral,
Difíceis atuações entre a fraqueza e o poder.
Simulações, simulacros e encenação corporal,
Tudo isso sou quando distante de você.

Mas quando estou com você, sou o que quero…
Nem mais nem menos, simples somente.
Calmo, sereno e sem mistério,
Solidário, fraterno, perspicaz e contente.

Quando estou com você
Não quero nada.
Sou o que quero ser
Como se a tudo desse graças…

Mas como compensar a falta que você me faz?
Sem você sou príncipe e indigente…
Sem você acho graça na guerra e duvido da paz…
Sem você sou ateu, sem você sou negligente…

Quanto estou com você,
Sou a palavra que lhe faz sorrir…
Sou aquilo que gosto de ser,
Sou a melhor parte de você em mim.

Marcelo Belini

Ode ao Poema Sujo de Ferreira Gullar

•Fevereiro 23, 2009 • Deixe um comentário

Sujo, sujo. Imundo…
Sujo de terra até as entranhas
Palavras de um poeta vagabundo
Formas banais, quase tacanhas…

Versos para aqueles que nada entendem…
Rimas forçadas de uma vida ingrata.
Métricas aos que pouco compreendem…
Como se fizesse versos para o sorriso que se mata.

Escrever com a mão limpa já não tem valor…
Como se vivesse sem se banhar,
A natureza lhe baniu de todo pudor…
Quando se rega, esquece de se molhar.

É difícil ser o melhor quando se é impuro,
Do passado já não se lembra do que passou…
Ao tempo restará o que lhe provir o futuro,
Tempos idos de uma era que findou…

Rimas baseadas em fria carniça…
Cego ainda é o dom do escritor.
Uma vida falsa como se fosse um artista,
Melodias que se fundem ao ódio e rancor.

Marcelo Belini

Desejos

•Fevereiro 23, 2009 • Deixe um comentário

Como suportar tudo que deseja?
Quantos desejos ainda escondidos?
Quantos desejos você ainda almeja?
Quantos deles foram reprimidos?

Talvez desejasse uma vida normal,
E o que veio ao meu alcance?
Uma vida baseada em arte, quase surreal,
Uma vida que repete: Escreva, Viva, dance…

Desejo por assim dizer o que não desejaria.
Desejos oníricos e misteriosos,
Desejos que por mais que previsse não preveria,
Desejos sacros e desejos pecaminosos…

Que foi que mais desejou?
Qual foi o último desejo realizado?
Talvez não traçar o caminho que traçou
Ou o arrependimento inesperado.

Que é um desejo?
Como ele se completa?
Ele é o primeiro beijo
Ou a última rima do poeta?

Qual o objeto mais desejado?
Aquilo que mais o fascina.
O singelo adeus desperdiçado,
Ou a pureza da menina.

Como um último desejo
Termino com a poesia.
Numa tentativa de desapego
Buscando superar a melancolia.

Marcelo Belini

Não era para ser um Haicai

•Fevereiro 23, 2009 • Deixe um comentário

Maldito haicai…
Quando não diz muito,
De mansinho se esvai…

Haicai maldito…
Quando não diz nada,
Não comunica nada não dito…

Não importa.
Todos os versos são iguais…
Haicai…
Haicai…
Haicai…

Marcelo Belini

Um conto de amor

•Fevereiro 20, 2009 • 1 Comentário

Esta é a história de uma bela jovem
Que apesar de muito inteligente, do amor pouco sabia.
Possuía um coração puro e nobre,
Mas para o amor pureza e nobreza pouco bastaria.

De repente para o mundo ela se abriu
Deparou-se com alguém lhe despertaria
Como numa singela noite de abril
Aquilo que nela adormecido jazia.

A poesia fazia parte do enredo
Como uma prosa boa de ouvir.
Os dois se entregavam sem medo
Como a saudade do amigo que acaba de partir.

Sua mão trêmula tocava a mão do rapaz,
Neste momento de singular encanto mágico
Era sinônimo de calma, serenidade e paz,
Seria a suma felicidade se não possuísse um tom trágico.

Entretanto as tarefas do cotidiano não a deixavam sozinha,
Pelo rapaz guardava grande afeição e respeito
Mas não se desfazia das obrigações que tinha
Embora soubesse que o caminho entre o amor e o dever é áspero e estreito.

Como se fosse uma história narrada por Shakespeare,
Uma escolha ela optou por fazer…
Com lágrimas e tristeza ela decidiu partir.
Deixando o jovem num alheio sofrer.

O final da história qualquer um poderia prever,
Dois corações separados pelo destino que não perdoa.
Uma entre tantas histórias de amor e querer,
Que em demasia à paixão se entrega e se doa.

Afinal, o que é a solidão?
Mas que estes dois prossigam em paz…
Carregando um sonho e uma dose de lamentação,
Pois a solidão ainda é o brilho que restou no olhar do rapaz…

Marcelo Belini

Lembranças

•Fevereiro 19, 2009 • Deixe um comentário

Tudo aquilo que vivenciei,
Parece que fora outrora.
Alguns poucos anos guardei,
Como se fosse um alvorecer na aurora.
Sendo que enfados e sabedorias suportei,
Pensando que isso havia passado ficando apenas o agora.
Carregar sonhos até que carreguei,
Mas até quando? Para os sonhos não há hora.

Marcelo Belini

Prece (Como se fosse “Metade”)

•Fevereiro 19, 2009 • Deixe um comentário

Que a ilusão ainda seja o meu alívio,
Que este alívio consiga se transformar em meu caos
E este caos seja o motivo que me leva ao conforto em teu seio.
De todas as formas de aleivosias, que o amor ainda seja aquilo que mais me agrade,
Se não, aquilo que mais me aproxime de meus iguais.
Que a insanidade seja recompensada com um sorriso de criança
E a esperança desse sorriso seja como uma dor que se apazigua.
Que os deuses todos (ainda que eu não acredite) sejam a porta que se abre para a metafísica,
Pois somos humanidade e engatinhamos…
Que o samba e a valsa se misturem num tom de compaixão e serenidade,
Pois a música ainda é ouvida ao longe
E a vida sem música seria um eterno sono sem sonhos.
E que assim prossigamos com a existência
Que nos anima e ao mesmo tempo nos amputa.
Que minhas preces sejam ouvidas ao menos pela minha eterna,
Eterna amada, eterna distância e eterna dor e alegria.
Que meus sonhos mais elaborados não se transformem em reais alegorias,
Pois perderia assim a felicidade de continuar acreditando.
Poesia, rainha dos céus e pensamentos, seja para sempre reverenciada
E por ela sejam despejadas graças em formas cadenciosas.
De tudo isso que sou, que eu ainda me considere inacabado,
Pois inacabado é a encanto que cativa e surpreende.

Marcelo Belini

Talita Cumi*

•Fevereiro 14, 2009 • Deixe um comentário


Hoje acordei sozinho,

Mais do que pude compreender.

O silêncio se fez em meu ninho,

Não foi o mesmo meu amanhecer.


Mais uma vez o silêncio

Em mulher se traveste,

Norteia meus pensamentos,

Reflexões em forma de prece.


O silêncio de cabelos a balançar…

Corpo de mulher, face de menina,

Ingenuidade de criança, força de Iemanjá

Alva como a neve, hálito de neblina.


Deixem-me acreditar

Que o silêncio me contemplava.

Deste momento ainda guardo o soluçar,

As palavras vieram, mas eu não ouvia o que falava.


Apenas hoje não farei o que antes faria,

Tentei sentir meu coração,

O estranho é que ele não batia…

Que maldita e bela sensação!


Seu corpo em fogo ardia

Num molde nunca antes visto.

Mais do que alguém diria,

Sonhado sim, mas nunca antes previsto.


Justo eu que entendo de Filosofia

Ao me dispor ao silêncio

Senti que todo o meu corpo tremia.

Todo este torpor, eu ainda não entendo…


Por hoje tive de suportar

Toda minha agonia.

Mas ainda vale recordar

Tudo aquilo que esquecer eu não queria.


Olhar cristalino em tom azul

Como se contemplasse todos os lugares.

Semblante puro e exótico, nada comum,

Olhar de deusa, o mais belo dos olhares…


Mas hoje pelo que recordei

Acordei só…

Singular, desacompanhado desde que acordei,

Se não fosse (eu), teria pena, causaria dó…


Terminei por escrever

E surgiram tais escritos…

Terminei por recorrer

Ao pensado pelo não dito…


Que a sua chegada

Não seja a minha partida.

Que o silêncio seja a minha morada

E o adeus não seja uma despedida.


*O título deste poema remete ao Evangelho de São Marcos capítulo 5, versículo 41 e a todo um sincretismo intelectivo atenuado em devaneios oníricos realçados numa existência pautada em poemas, perdas e outras idiossincrasias.


Marcelo Belini

Vida em três atos

•Fevereiro 14, 2009 • Deixe um comentário

Ato I:

Um quadro de morfina,

Um olhar, um olhar de menina.

Mandamentos, juras e mandamentos,

Um falso sorriso, sofrimentos…


Ato II:

Copo de vinho tinto suave,

Batalha que o espírito trave…

Ignóbil adjeto e circunstância,

Preso pelo braço, substância…


Ato III:

Tempo que chegou…

Atenção! Atenção! Não achou!

Máquinas, triunfo e mel,

Devaneios, libidos e céu.


Marcelo Belini

Navegando…

•Fevereiro 14, 2009 • Deixe um comentário

No balanço resplandecente, vertigens e esperança

No coração que compadece a nostalgia se agita e dança.

Temendo e amando o futuro que virá,

Novos horizontes são descobertos, mas o que restará?


Oh navios! Oh navegantes!

Para o passado sobram as feridas, ficam as amantes…

Oh tripulação! Oh navegadores!

Fantasias, novas ilusões, diversificados amores…


Eis que surgem rumores e novos acompanhamentos,

Seguidos de iguarias, sorrisos e lamentos…

- Coragem! Diz o capitão ao tripulante…

Assim a vida se redobra, aumenta e se desfaz em um instante.


Fragmentos de existências, euforias e tristezas…

A essência da humanidade se fazendo em mares e grandezas.

Tudo aquilo que buscavam,

Em menor ou maior proporção aqui encontraram!


Marcelo Belini

Ainda não acredito…

•Fevereiro 6, 2009 • Deixe um comentário

Mais uma vez manifestações, estranhas manifestações,

Conduzem-me ao pesadelo e me fazem sonhar. Depois de tanto ler e não acreditar,

Não me convence que Einstein concretizou o que acabem de citar…

Se o hapax legomenon eu não conhecesse e não o estudasse,

Poderia até ter fé na minha visão, seja lá o que ela enxergasse…

Palavras escolhidas a dedo…

Verbos recheados de receio, retidão e medo…

Simbologia que não faz sentido,

Como se tal recado, em outros tempos não tivesse sido transmitido…

Como? Máscaras e blasfêmias?

Que maldito mal fiz às noites boêmias?

Mais alguns versos que acabam em lugar algum…

Talvez algum dia venha saber da verdade… Ave César! Salve Bell Zebu!

Enquanto isso continuo sem respostas…

Com um cérebro que quando menos preciso em coração se transforma…

 

Marcelo Belini

Transvaloração Equiparada

•Fevereiro 6, 2009 • Deixe um comentário

 

Neste momento já não sei o que é sentir,

Não sei o que é felicidade, também não sei o que é sofrer.

Tudo aquilo que me fere, agora me faz sorrir,

As coisas que me alegram, fazem-me tremer…

 

Ao exterior permaneço calado,

Interiormente, uma sensação orgiástica…

Quando percebo, o mundo está parado,

Apesar da monotonia a sensação é fantástica!

 

Consigo apresentar-me à loucura,

O conhecimento me sorri com ternura…

Milagres magníficos, milagres malditos,

Milagres sublimes, milagres inauditos…

 

Filosofia, contradição e hipocrisia,

Tristeza, saudade e profanação.

Incorruptos, adeptos e heresia,

Incestos, teologia e a pseudo – salvação.

 

Malogrado, desisto…

Não desisti da humanidade,

Desisti do lado humano que a humanidade chama de Cristo!

 

Marcelo Belini

 

Anno Domini

•Outubro 6, 2008 • Deixe um comentário

- Falei, por acaso, em céu, meu juiz? Aprovo o que ele faz, de todas as maneiras. Sou juiz, a meu modo. Li nos livros, que mais vale a pena ser cúmplice do céu, do que dele vítima. Aliás, tenho a impressão que o céu não está em causa. Pelo pouco que os homens se preocupam em quebrar vidros e cabeças, já devem ter percebido que deus – um grande conhecedor de música – não passa de um menino de coro.
(Fala da personagem “Nada” na obra de Camus intitulada “Estado de sítio”)

Se o principio era o verbo,
Como acreditam e todos querem crer,
Insisto, minto e percebo,
A razão é o início e o fim há de ser!

A lógica ultrapassou a fé,
Meditar não tem mais “lógica”,
De joelhos nunca! Mantenho-me em pé!
Basta com as migalhas mitológicas!

Nenhum santo sacramento me atrai,
Tudo aquilo que ensina, não há porque,
Embora tendo uma história que me distrai,
Lamento aquele que daquilo quer viver!

Ouço por ai um deus egoísta,
E por assim dizerem até me esqueço,
Que embora mais que um ainda exista,
Cético me sinto e muito me permaneço!

Marcelo Belini

Deus ex machina

•Outubro 6, 2008 • Deixe um comentário

– Desde que o mundo todo em ti assim confinas
Oh infatigável Gênio, eu sou igual a ti
– És igual ao Espírito que imaginas
Jamais igual a mim!
(Diálogo entre Fausto e Mefistófeles na obra de Goethe)

De todos os mundos que tua pobre alma sonha,
Quiméricas lembranças de tempos idos.
Isola a sombra e o inaudito acorda em peçonha,
Transfigurações em momentos percorridos.

Do sonhar sobra apenas o pesadelo a ser vivido,
Nesta realidade um tanto quanto metafísica,
Do esnobe pensar, algum comentário tecido,
Onde o corpo corroeu estando o espírito em fatiga.

Deuses meditam em sua santa propriedade,
Estando os homens a marchar em uma fé cega.
Dos deuses surge uma antiga probidade,
Ao ser antrópico cabe apenas a virtude que carrega.

Marcelo Belini

Noite que clama

•Outubro 6, 2008 • 1 Comentário

O leito antes apertado de carinho,
Cá, desconforto, sozinho…
As trevas se apropinquam em pleno dia,
A temperatura, antes amena jaz fria, fria!

Uma imensidão onde me encontro a dormir…
Desce à noite, meu corpo se põe a cair.
De longe contemplo o teu retrato…
Nem meu cigarro me satisfaz (cigarro barato…).

Apego-me a esperança de te reencontrar,
De perto mais uma vez me perder em teu olhar…
Assim me viro e me reviro em minha solitária cama…
Como é longa a noite! Como é longa a noite que clama!

Marcelo Belini

Estética aplicada

•Outubro 6, 2008 • Deixe um comentário

Como quem cansa do cansar da caminhada,
Tristemente treme ao ver a sua trajetória prolongada.
Muito menos consegue refletir no devir ou no agora,
Pois bem, o tão esperado momento chegou, chegou a sua hora!

Um bélico distanciamento produz a razão,
Haja vista o propulsar da situação.
A Filosofia enfim órfã e acanhada,
Celebrou entre o céu e o inferno sua morada.

O que se sabe de tudo que sabemos?
Amamos, corremos, gritamos e morremos…
Das flores o cheiro antes esbelto e arábico,
Atrativo medonho de aspecto trágico!

Marcelo Belini

Quase um poema amoroso

•Abril 26, 2008 • 1 Comentário

Olha minha pequena
Aquilo que não notamos…
Que o amor vale a pena
E que juntos ainda estamos…

Marcelo Belini