O limite da razão

•Maio 25, 2009 • 2 Comentários

A insanidade ultrapassou seu próprio limite;
Superou-se em perspectiva.
Excedeu tudo aquilo que dissera: – “não existe”;
Elegias em vozear ativa.

O mais extraordinário: a conduta racional,
Insana puramente.
Desvios de um comportamento simples e natural,
Instintivo, latente…

Doente e triste. (Insuportável!) Amável e sensível.
Assim marcha a realidade.
Nunca prestando contas ao invisível,
Na contra mão da suposta verdade.

Meditando acreditei que alcançaria,
Tudo que no mundo há…
Deperdicei momentos em aleivosias,
Para daí então nada encontrar…

Amaldiçoado seja o maldito trovador,
Que tenta dar grafia à pureza.
Maldito seja a fé que culmina em dor,
Ora, mapa do que se deseja.

Marcelo Belini

Pax-Vóbis & Pax Romana

•Abril 3, 2009 • 1 Comentário

Do pacóvio ao doutor,
Traga demência ou equação,
Do iletrado ao professor,
Seja para sempre louvada a razão.

Do entorpecido ao mercenário,
Traga ódio ou paz,
Do enfurecido ao retardatário,
De forma tal e inexata que tanta faz.

Do santo ao maldito,
Traga pedra ou flores,
Do marginal ao bendito
Que a benção convulsione em dores.

Do ancião à criança,
Traga folia ou arrependimento,
Da feliz tristeza à pobre esperança,
Solipsismo, maniqueísmo e juramento.

Marcelo Belini

Solilóquio

•Abril 3, 2009 • Deixe um comentário

Parece que a minha voz nunca foi ouvida,
Sento-me no abismo de meu próprio eco.
Dita-me o silêncio que não sou ainda,
Meu processo eutanásico não está completo.

Marcelo Belini

Agonia dominical

•Março 30, 2009 • 2 Comentários

Domingo é dia de descanso e tranqüilidade,
É dia de arroz com frango e pelada com os amigos.
É o período daqueles que crêem na suma felicidade,
Mas é diferente para mim – é diferente comigo.

Domingo é dia de visita dos familiares,
É dia de repor as energias para a semana que aponta.
É o momento de ajoelhar-se diante dos altares,
Mas é diferente para mim – prefiro aquilo que me afronta.

Domingo é dia de assistir televisão,
É dia de relaxar e aproveitar o sossego.
É o período de suportar Silvio Santos e Faustão,
Mas é diferente para mim – o domingo me dá medo.

Eu posso descrever o domingo com apenas uma expressão:
Um único termo que se anunciado, resumir-se-ia em agonia.
É o meu período de intensa e caótica reclusão,
Estando em meu isolamento, construo minha fantasia.

Marcelo Belini

Amor e exemplos…

•Março 27, 2009 • 1 Comentário

Imagino que Rilke ainda aguarda,
Esperando ardentemente sua mulher,
Apenas mais um encontro com sua amada,
Imaginando mais uma vez Lou Salomé.

Dante ainda percorre o inferno
Atrás de sua jovem imperatriz,
Num grande desespero interno
Tendo em mente a imagem de Beatriz.

Assim como Rilke, também anseio,
E como Dante o inferno percorro.
Na falta da redenção em teu seio,
Às lembranças me atiro em socorro.

Marcelo Belini

Poema utópico

•Março 27, 2009 • Deixe um comentário

Quem me dera escrever em algumas linhas,
Aquilo que fizesse minha alma estremecer.
Ditar uma nova concordância mesmo que mesquinha,
E o resultado todos pudessem tocar e conhecer…

Compor um poema em formato de ode,
Onde o arranjo se compusesse em tom celestial.
Com uma simples leitura matasse a fome do pobre,
E o tirano ao ler se arrependeria e trataria bem seu igual.

Com a força deste poema desafiar a divina escritura,
Opor-se-ia com veemência àquilo que está estabelecido.
Daria um toque divino a qualquer criatura,
Mesmo aquele que já sem razão fora esquecido.

Escreveria frases com sentido e sem sentido também,
Desenharia pela grafia a ternura e a compaixão.
Tentaria desvendar o significado oculto que a vida tem,
Nunca me esquecendo do vasto mar da desilusão.

Palavras jogadas sem a mínima preocupação,
Sortilégios, devaneios e acasos premeditados,
Fazendo sorrir aquele que jaz jogado na solidão,
Deixando de lado o ódio e aquilo que fora antes ditado…

Registraria sem palavras aquilo que quero dizer,
Sem palavra alguma, qualquer um poderá sentir…
Na falta de palavras qualquer um poderá ler,
Aquilo que mesmo não experimentando sempre o quis.

Mas percebo que seriam apenas palavras…
E o verbo no tempo se perde e se esvai.
Como o discurso de quem em vão esperava,
Como a velha utopia que engana e que trai.

Marcelo Belini

Momento

•Março 20, 2009 • Deixe um comentário

Um momento qualquer…
Qualquer significado tem,
Um sorriso de Monalisa mulher,
Não vale nenhum vintém.

Marcelo Belini

Tempo

•Março 20, 2009 • 1 Comentário

Já dizia o filósofo:
-Tempo não existe.
O passado não,
Porque de imediato já acabara,
O futuro tão,
Porque ainda não mostrou a cara,
E presente então,
Porque acabou de passar e ninguém o segurara…

Marcelo Belini

Instante

•Março 20, 2009 • Deixe um comentário

Um mero instante…
Meio milésimo de paz.
Meu “eu” pensante,
Em devaneios se desfaz.

Marcelo Belini

Ontem

•Março 19, 2009 • Deixe um comentário

Ontem acordei deprimido…
Sentido fazia,
Apenas não fazia comigo.

Marcelo Belini

Amanhã

•Março 19, 2009 • Deixe um comentário

Amanhã já não sei…
Se sentido fará
Ou se despertarei.

Marcelo Belini

Hoje

•Março 19, 2009 • Deixe um comentário

Hoje acordei deprimido…
A felicidade se fazia presente,
Apenas não fazia sentido.

Marcelo Belini

Em resposta à mulher amada

•Março 17, 2009 • 2 Comentários

Quantos momentos de minha vida
Ao amor e à paixão dediquei…
Todos passaram como fogo em ferida,
Mas apenas um não abandonarei…

Marcelo Belini

Expressão silenciosa

•Março 14, 2009 • Deixe um comentário

Gostaria de escrever cada vez mais…
Escrever sobre a chegada e a partida,
Sobre encontros, reencontros e despedidas,
Escrever sobre o absurdo da guerra e a razão paz.

Tentaria me expressar sobre alguma ideologia…
Fragmentos de discursos livres e diretos,
Histórias bem ou mal contadas, sujeitos e objetos,
Expressar pensamentos pautados em filosofia.

Adoraria escrever demasiadamente…
Escrever sobre o tempo e aquilo que me fascina,
Sobre aquilo que não me atrai e sobre a causa divina,
Escrever tudo aquilo que acho sadio e doente.

Tentaria me expressar com uma dose de devoção…
Iniciativas vãs de uma atração sublime,
Expressar tudo aquilo que me eleva e me oprime,
Expressar aquilo que calo ou deixo sem solução.

Gostaria de escrever sobre o erotismo e o sexo…
Escrever sobre o pudor que ainda me visita,
Relações incompletas que esta alma habita,
Sobre fetiche, tara, síndrome e complexo.

Tentaria me expressar como o grito de tudo que morre…
Preceitos aceitos e também aqueles descartados,
Escreveria sobre o certo, o avesso e o errado,
Sobre aquilo que não percebo e aquilo que me ocorre.

Adoraria escrever sobre o círculo e a reta…
Escrever sobre o sorriso, a dor e o que sentia,
Aquilo que em mim, vivo, embora, morto jazia,
Sobre tudo que foi dito, mas que esqueceu o poeta.

Eis que escrevo, sobretudo, carcomido e triste…
Acabei por me expressar em forma de louvor,
Como se tudo isso não se resumisse ao amor,
Tendo em vista a vinda logo após que partiste…

Ao escrever silencio-me…

Marcelo Belini

Retrato

•Março 10, 2009 • 1 Comentário

Lembrar de ti
Através de um retrato…
Parece até que sofrer eu não sofri,
Mas que a deixei de imediato.
Representa algo que perdi
Mas que não perdi de fato
Simula algo que vivi,
Como se fosse algo inexato.

Uma simples representação…
Quem me dera fosse ela,
Aquela que invade minha visão
Tão simples e singela
Rompendo com a solidão.

Significação da palavra Retrato: Representação inexata de uma realidade vivenciada… Realidade que poderia ser diferente em seu tempo verbal… poderia ter sido ainda…

Marcelo Belini

Por ela, pelo mal e pelo bem

•Março 8, 2009 • Deixe um comentário

Prossigo acreditando que todos os caminhos me levam a ela,
Seja pelo mal ou pelo bem.
Entre equívocos e acertos, choros e chancela,
É o caminho que ela vem.

Sigo experimentando os aromas de um sentimento natural,
Apesar do mal ou apesar do bem.
Depois de tanto procurar percebi que aroma não há igual,
Igual ao perfume que ela tem.

Presencio a vida num patamar de longo desespero e esperança,
Faça isso mal, faça bem.
Abraço imagens transfiguradas em vaga lembrança,
Vejo aquilo que os olhos dela vêem.

Aquilo que me sustenta decorre dela e por ela sucumbo,
Atraído pelo mal ou pelo bem.
In-feliz, sábio ordinário, menestrel que vagueia pelo mundo…
Aquilo que me sustenta dela provém.

Marcelo Belini

Seria esta uma carta de amor?

•Março 5, 2009 • 1 Comentário

Estou lhe escrevendo não porque a amo,
Não porque a quero.
Escrevo porque em memória lhe chamo,
Sem saber lhe espero.

Escrevo o suficiente para negligenciar,
Para suprir um vazio.
Também escrevo para sem querer lhe lembrar,
Que chorando ainda rio.

Sem saber o que completarei por escrever,
Sinto que esqueço.
A ausência do que me abandona a padecer,
Não obedeço.

O satisfatório é ter idéia do que pode acontecer,
Ou se acontecerá.
Sei que agora depois de terminar de escrever,
Suas mãos este papel tocará.

Na finitude do ato de escrever atinjo a escritura,
Ou sua real intenção.
Deito-te em planos que em minha alma tortura,
E que teus olhos lerão.

Ao leres esta carta, lembra-te da pessoa que a escreve,
Somente uma recordação.
Que estas palavras surjam como uma prece,
E tolerem as lágrimas que virão.

Porque camuflar sentimentos e deixar a vida camuflada?
Porque todo este pudor?
Por fim, minha alegria, minha tristeza… Minha amada,
Seria esta uma carta de amor?

Post-scriptum: creio que escrever seja em vão,
Nada acarretará.
Mas escrevo apenas por escrever, sem argumentação,
Quem sabe ela a lerá…

Marcelo Belini

Improfícua negociação

•Março 4, 2009 • Deixe um comentário

A emoção é sempre arrebatada pela metafísica; uma metafísica aparentemente caracterizada por algo superior e externo a nós.
Esse processo todo acabará acarretando uma “negociação”, uma barganha por um “pedacinho do paraíso”.
A Razão ao se deparar com tal disparate, além de se convulsionar por pena e se contrair em gargalhadas dirá à ignóbil emoção já lograda:
- Aniquila-te! Pois é hoje a promoção no reino dos céus…

Marcelo Belini

Charis*

•Março 4, 2009 • Deixe um comentário

“Encontro pela vida milhares de corpos; desses milhares posso desejar centenas, mas desses centenas, amo apenas um”. Roland Barthes – Fragmentos de um discurso amoroso.

Tomado por uma luz no olhar;
De um corpo que se auto-erradia;
Uma dádiva a se recriar,
Beleza ímpar, suprema, todavia.

Um cálice sereno
Tomado por este torpor,
Como um antigo Heleno
Regozijo-te, Amor!

Addendum: Amor é tacanho e razo; aquilo que me envolve torna-se imensurável, inominável e inaudito.

*Segundo Roland Barthes, Charis para os Gregos significava: Aquilo que de bom emana da pessoa desejável.

Marcelo Belini

Todas fazem-me lembrar de ti

•Fevereiro 26, 2009 • 2 Comentários

Pode até parecer estranho o que eu estou dizendo…
Parece que foi ontem que a conheci,
Era tudo que eu menos queria, mesmo querendo
Todas fazem-me lembrar de ti…

Posso parecer injusto ou que ajo de má fé,
Acontece que carrego-te sempre em mim,
Dentre todas que existem és a Mulher.
Todas fazem-me lembrar de ti…

Tempos atrás deparei-me com um olhar,
Um olhar cintilante, o mais belo que já vi,
Mas como não tecer lembranças e não comparar?
Todas fazem-me lembrar de ti…

Deparei-me outrora com um sorriso,
Um sorriso cativante, o mais belo que já vi,
Mas mal sabe ele que é do teu sorrir que preciso.
Todas fazem-me lembrar de ti…

Num encontro casual
Com um gesto de pureza que jamais vivi
Poderia ser algo normal,
Se todas não fizessem-me lembrar de ti…

Seja no inverno londrino ou no verão de Cuiabá,
Seja na primavera de Lisboa ou no outono de Parati,
Não importa nunca o que acontecerá,
Todas fazem-me lembrar de ti…

Marcelo Belini

Quando estou com você

•Fevereiro 23, 2009 • Deixe um comentário

Talvez esse seja o prefácio de minha história.
Certo que não sou aquilo que gostaria de ser…
Algo acorrentado a minha memória,
Mas que se livra das amarras quando estou com você.

Também não sou… Quando os demais estão presentes,
A alegria, o amor e a satisfação comparecem,
Mesmo minha triste figura estando ausente,
E assim meus pensamentos compadecem…

Minha vida parece um espetáculo teatral,
Difíceis atuações entre a fraqueza e o poder.
Simulações, simulacros e encenação corporal,
Tudo isso sou quando distante de você.

Mas quando estou com você, sou o que quero…
Nem mais nem menos, simples somente.
Calmo, sereno e sem mistério,
Solidário, fraterno, perspicaz e contente.

Quando estou com você
Não quero nada.
Sou o que quero ser
Como se a tudo desse graças…

Mas como compensar a falta que você me faz?
Sem você sou príncipe e indigente…
Sem você acho graça na guerra e duvido da paz…
Sem você sou ateu, sem você sou negligente…

Quanto estou com você,
Sou a palavra que lhe faz sorrir…
Sou aquilo que gosto de ser,
Sou a melhor parte de você em mim.

Marcelo Belini

Ode ao Poema Sujo de Ferreira Gullar

•Fevereiro 23, 2009 • Deixe um comentário

Sujo, sujo. Imundo…
Sujo de terra até as entranhas
Palavras de um poeta vagabundo
Formas banais, quase tacanhas…

Versos para aqueles que nada entendem…
Rimas forçadas de uma vida ingrata.
Métricas aos que pouco compreendem…
Como se fizesse versos para o sorriso que se mata.

Escrever com a mão limpa já não tem valor…
Como se vivesse sem se banhar,
A natureza lhe baniu de todo pudor…
Quando se rega, esquece de se molhar.

É difícil ser o melhor quando se é impuro,
Do passado já não se lembra do que passou…
Ao tempo restará o que lhe provir o futuro,
Tempos idos de uma era que findou…

Rimas baseadas em fria carniça…
Cego ainda é o dom do escritor.
Uma vida falsa como se fosse um artista,
Melodias que se fundem ao ódio e rancor.

Marcelo Belini

Desejos

•Fevereiro 23, 2009 • Deixe um comentário

Como suportar tudo que deseja?
Quantos desejos ainda escondidos?
Quantos desejos você ainda almeja?
Quantos deles foram reprimidos?

Talvez desejasse uma vida normal,
E o que veio ao meu alcance?
Uma vida baseada em arte, quase surreal,
Uma vida que repete: Escreva, Viva, dance…

Desejo por assim dizer o que não desejaria.
Desejos oníricos e misteriosos,
Desejos que por mais que previsse não preveria,
Desejos sacros e desejos pecaminosos…

Que foi que mais desejou?
Qual foi o último desejo realizado?
Talvez não traçar o caminho que traçou
Ou o arrependimento inesperado.

Que é um desejo?
Como ele se completa?
Ele é o primeiro beijo
Ou a última rima do poeta?

Qual o objeto mais desejado?
Aquilo que mais o fascina.
O singelo adeus desperdiçado,
Ou a pureza da menina.

Como um último desejo
Termino com a poesia.
Numa tentativa de desapego
Buscando superar a melancolia.

Marcelo Belini

Não era para ser um Haicai

•Fevereiro 23, 2009 • Deixe um comentário

Maldito haicai…
Quando não diz muito,
De mansinho se esvai…

Haicai maldito…
Quando não diz nada,
Não comunica nada não dito…

Não importa.
Todos os versos são iguais…
Haicai…
Haicai…
Haicai…

Marcelo Belini

Um conto de amor

•Fevereiro 20, 2009 • 1 Comentário

Esta é a história de uma bela jovem
Que apesar de muito inteligente, do amor pouco sabia.
Possuía um coração puro e nobre,
Mas para o amor pureza e nobreza pouco bastaria.

De repente para o mundo ela se abriu
Deparou-se com alguém lhe despertaria
Como numa singela noite de abril
Aquilo que nela adormecido jazia.

A poesia fazia parte do enredo
Como uma prosa boa de ouvir.
Os dois se entregavam sem medo
Como a saudade do amigo que acaba de partir.

Sua mão trêmula tocava a mão do rapaz,
Neste momento de singular encanto mágico
Era sinônimo de calma, serenidade e paz,
Seria a suma felicidade se não possuísse um tom trágico.

Entretanto as tarefas do cotidiano não a deixavam sozinha,
Pelo rapaz guardava grande afeição e respeito
Mas não se desfazia das obrigações que tinha
Embora soubesse que o caminho entre o amor e o dever é áspero e estreito.

Como se fosse uma história narrada por Shakespeare,
Uma escolha ela optou por fazer…
Com lágrimas e tristeza ela decidiu partir.
Deixando o jovem num alheio sofrer.

O final da história qualquer um poderia prever,
Dois corações separados pelo destino que não perdoa.
Uma entre tantas histórias de amor e querer,
Que em demasia à paixão se entrega e se doa.

Afinal, o que é a solidão?
Mas que estes dois prossigam em paz…
Carregando um sonho e uma dose de lamentação,
Pois a solidão ainda é o brilho que restou no olhar do rapaz…

Marcelo Belini

Lembranças

•Fevereiro 19, 2009 • Deixe um comentário

Tudo aquilo que vivenciei,
Parece que fora outrora.
Alguns poucos anos guardei,
Como se fosse um alvorecer na aurora.
Sendo que enfados e sabedorias suportei,
Pensando que isso havia passado ficando apenas o agora.
Carregar sonhos até que carreguei,
Mas até quando? Para os sonhos não há hora.

Marcelo Belini

Prece (Como se fosse “Metade”)

•Fevereiro 19, 2009 • Deixe um comentário

Que a ilusão ainda seja o meu alívio,
Que este alívio consiga se transformar em meu caos
E este caos seja o motivo que me leva ao conforto em teu seio.
De todas as formas de aleivosias, que o amor ainda seja aquilo que mais me agrade,
Se não, aquilo que mais me aproxime de meus iguais.
Que a insanidade seja recompensada com um sorriso de criança
E a esperança desse sorriso seja como uma dor que se apazigua.
Que os deuses todos (ainda que eu não acredite) sejam a porta que se abre para a metafísica,
Pois somos humanidade e engatinhamos…
Que o samba e a valsa se misturem num tom de compaixão e serenidade,
Pois a música ainda é ouvida ao longe
E a vida sem música seria um eterno sono sem sonhos.
E que assim prossigamos com a existência
Que nos anima e ao mesmo tempo nos amputa.
Que minhas preces sejam ouvidas ao menos pela minha eterna,
Eterna amada, eterna distância e eterna dor e alegria.
Que meus sonhos mais elaborados não se transformem em reais alegorias,
Pois perderia assim a felicidade de continuar acreditando.
Poesia, rainha dos céus e pensamentos, seja para sempre reverenciada
E por ela sejam despejadas graças em formas cadenciosas.
De tudo isso que sou, que eu ainda me considere inacabado,
Pois inacabado é a encanto que cativa e surpreende.

Marcelo Belini

Talita Cumi*

•Fevereiro 14, 2009 • Deixe um comentário


Hoje acordei sozinho,

Mais do que pude compreender.

O silêncio se fez em meu ninho,

Não foi o mesmo meu amanhecer.


Mais uma vez o silêncio

Em mulher se traveste,

Norteia meus pensamentos,

Reflexões em forma de prece.


O silêncio de cabelos a balançar…

Corpo de mulher, face de menina,

Ingenuidade de criança, força de Iemanjá

Alva como a neve, hálito de neblina.


Deixem-me acreditar

Que o silêncio me contemplava.

Deste momento ainda guardo o soluçar,

As palavras vieram, mas eu não ouvia o que falava.


Apenas hoje não farei o que antes faria,

Tentei sentir meu coração,

O estranho é que ele não batia…

Que maldita e bela sensação!


Seu corpo em fogo ardia

Num molde nunca antes visto.

Mais do que alguém diria,

Sonhado sim, mas nunca antes previsto.


Justo eu que entendo de Filosofia

Ao me dispor ao silêncio

Senti que todo o meu corpo tremia.

Todo este torpor, eu ainda não entendo…


Por hoje tive de suportar

Toda minha agonia.

Mas ainda vale recordar

Tudo aquilo que esquecer eu não queria.


Olhar cristalino em tom azul

Como se contemplasse todos os lugares.

Semblante puro e exótico, nada comum,

Olhar de deusa, o mais belo dos olhares…


Mas hoje pelo que recordei

Acordei só…

Singular, desacompanhado desde que acordei,

Se não fosse (eu), teria pena, causaria dó…


Terminei por escrever

E surgiram tais escritos…

Terminei por recorrer

Ao pensado pelo não dito…


Que a sua chegada

Não seja a minha partida.

Que o silêncio seja a minha morada

E o adeus não seja uma despedida.


*O título deste poema remete ao Evangelho de São Marcos capítulo 5, versículo 41 e a todo um sincretismo intelectivo atenuado em devaneios oníricos realçados numa existência pautada em poemas, perdas e outras idiossincrasias.


Marcelo Belini

Vida em três atos

•Fevereiro 14, 2009 • Deixe um comentário

Ato I:

Um quadro de morfina,

Um olhar, um olhar de menina.

Mandamentos, juras e mandamentos,

Um falso sorriso, sofrimentos…


Ato II:

Copo de vinho tinto suave,

Batalha que o espírito trave…

Ignóbil adjeto e circunstância,

Preso pelo braço, substância…


Ato III:

Tempo que chegou…

Atenção! Atenção! Não achou!

Máquinas, triunfo e mel,

Devaneios, libidos e céu.


Marcelo Belini

Navegando…

•Fevereiro 14, 2009 • Deixe um comentário

No balanço resplandecente, vertigens e esperança

No coração que compadece a nostalgia se agita e dança.

Temendo e amando o futuro que virá,

Novos horizontes são descobertos, mas o que restará?


Oh navios! Oh navegantes!

Para o passado sobram as feridas, ficam as amantes…

Oh tripulação! Oh navegadores!

Fantasias, novas ilusões, diversificados amores…


Eis que surgem rumores e novos acompanhamentos,

Seguidos de iguarias, sorrisos e lamentos…

- Coragem! Diz o capitão ao tripulante…

Assim a vida se redobra, aumenta e se desfaz em um instante.


Fragmentos de existências, euforias e tristezas…

A essência da humanidade se fazendo em mares e grandezas.

Tudo aquilo que buscavam,

Em menor ou maior proporção aqui encontraram!


Marcelo Belini

Ainda não acredito…

•Fevereiro 6, 2009 • Deixe um comentário

Mais uma vez manifestações, estranhas manifestações,

Conduzem-me ao pesadelo e me fazem sonhar. Depois de tanto ler e não acreditar,

Não me convence que Einstein concretizou o que acabem de citar…

Se o hapax legomenon eu não conhecesse e não o estudasse,

Poderia até ter fé na minha visão, seja lá o que ela enxergasse…

Palavras escolhidas a dedo…

Verbos recheados de receio, retidão e medo…

Simbologia que não faz sentido,

Como se tal recado, em outros tempos não tivesse sido transmitido…

Como? Máscaras e blasfêmias?

Que maldito mal fiz às noites boêmias?

Mais alguns versos que acabam em lugar algum…

Talvez algum dia venha saber da verdade… Ave César! Salve Bell Zebu!

Enquanto isso continuo sem respostas…

Com um cérebro que quando menos preciso em coração se transforma…

 

Marcelo Belini

Transvaloração Equiparada

•Fevereiro 6, 2009 • Deixe um comentário

 

Neste momento já não sei o que é sentir,

Não sei o que é felicidade, também não sei o que é sofrer.

Tudo aquilo que me fere, agora me faz sorrir,

As coisas que me alegram, fazem-me tremer…

 

Ao exterior permaneço calado,

Interiormente, uma sensação orgiástica…

Quando percebo, o mundo está parado,

Apesar da monotonia a sensação é fantástica!

 

Consigo apresentar-me à loucura,

O conhecimento me sorri com ternura…

Milagres magníficos, milagres malditos,

Milagres sublimes, milagres inauditos…

 

Filosofia, contradição e hipocrisia,

Tristeza, saudade e profanação.

Incorruptos, adeptos e heresia,

Incestos, teologia e a pseudo – salvação.

 

Malogrado, desisto…

Não desisti da humanidade,

Desisti do lado humano que a humanidade chama de Cristo!

 

Marcelo Belini

 

Anno Domini

•Outubro 6, 2008 • Deixe um comentário

- Falei, por acaso, em céu, meu juiz? Aprovo o que ele faz, de todas as maneiras. Sou juiz, a meu modo. Li nos livros, que mais vale a pena ser cúmplice do céu, do que dele vítima. Aliás, tenho a impressão que o céu não está em causa. Pelo pouco que os homens se preocupam em quebrar vidros e cabeças, já devem ter percebido que deus – um grande conhecedor de música – não passa de um menino de coro.
(Fala da personagem “Nada” na obra de Camus intitulada “Estado de sítio”)

Se o principio era o verbo,
Como acreditam e todos querem crer,
Insisto, minto e percebo,
A razão é o início e o fim há de ser!

A lógica ultrapassou a fé,
Meditar não tem mais “lógica”,
De joelhos nunca! Mantenho-me em pé!
Basta com as migalhas mitológicas!

Nenhum santo sacramento me atrai,
Tudo aquilo que ensina, não há porque,
Embora tendo uma história que me distrai,
Lamento aquele que daquilo quer viver!

Ouço por ai um deus egoísta,
E por assim dizerem até me esqueço,
Que embora mais que um ainda exista,
Cético me sinto e muito me permaneço!

Marcelo Belini

Deus ex machina

•Outubro 6, 2008 • Deixe um comentário

– Desde que o mundo todo em ti assim confinas
Oh infatigável Gênio, eu sou igual a ti
– És igual ao Espírito que imaginas
Jamais igual a mim!
(Diálogo entre Fausto e Mefistófeles na obra de Goethe)

De todos os mundos que tua pobre alma sonha,
Quiméricas lembranças de tempos idos.
Isola a sombra e o inaudito acorda em peçonha,
Transfigurações em momentos percorridos.

Do sonhar sobra apenas o pesadelo a ser vivido,
Nesta realidade um tanto quanto metafísica,
Do esnobe pensar, algum comentário tecido,
Onde o corpo corroeu estando o espírito em fatiga.

Deuses meditam em sua santa propriedade,
Estando os homens a marchar em uma fé cega.
Dos deuses surge uma antiga probidade,
Ao ser antrópico cabe apenas a virtude que carrega.

Marcelo Belini

Noite que clama

•Outubro 6, 2008 • 1 Comentário

O leito antes apertado de carinho,
Cá, desconforto, sozinho…
As trevas se apropinquam em pleno dia,
A temperatura, antes amena jaz fria, fria!

Uma imensidão onde me encontro a dormir…
Desce à noite, meu corpo se põe a cair.
De longe contemplo o teu retrato…
Nem meu cigarro me satisfaz (cigarro barato…).

Apego-me a esperança de te reencontrar,
De perto mais uma vez me perder em teu olhar…
Assim me viro e me reviro em minha solitária cama…
Como é longa a noite! Como é longa a noite que clama!

Marcelo Belini

Estética aplicada

•Outubro 6, 2008 • Deixe um comentário

Como quem cansa do cansar da caminhada,
Tristemente treme ao ver a sua trajetória prolongada.
Muito menos consegue refletir no devir ou no agora,
Pois bem, o tão esperado momento chegou, chegou a sua hora!

Um bélico distanciamento produz a razão,
Haja vista o propulsar da situação.
A Filosofia enfim órfã e acanhada,
Celebrou entre o céu e o inferno sua morada.

O que se sabe de tudo que sabemos?
Amamos, corremos, gritamos e morremos…
Das flores o cheiro antes esbelto e arábico,
Atrativo medonho de aspecto trágico!

Marcelo Belini

Quase um poema amoroso

•Abril 26, 2008 • 1 Comentário

Olha minha pequena
Aquilo que não notamos…
Que o amor vale a pena
E que juntos ainda estamos…

Marcelo Belini

Encontro, desencontro

•Abril 26, 2008 • Deixe um comentário

Cheguei a acreditar
Que daria certo
Escrever por entre linhas tortas o correto
Na pior ocasião percebi
Que a tão esperada carta perfumada não recebi
Que um dia te encontraria novamente
Suportando a lembrança que me afronta lentamente
Encontraria-te e os nossos olhares…
Ah! Os nossos olhares…
Sentimentos que transbordam por orgias oculares
Conversaríamos e tentaríamos nos esconder
Através de verdades que se fazem mentiras
Para poder esquecer…
O que o passado carrega, o vinho agora amargo
Alguns risos e a lenta brisa do cigarro
Num bar qualquer, a qualquer hora do dia
Para nos abraçarmos em tom de despedida…
O toque suave arde como chama
Para suportar a nostalgia que clama
O coração que arde
O alívio da carne
Um simples adeus, quem sabe até logo
Peço aos deuses, aos santos não tão santos, rogo…
Que isso nunca aconteça
E que dos rumores das virtudes não me esqueça.

Marcelo Belini

Sentido certo e oposto ao correto

•Abril 26, 2008 • Deixe um comentário

Por um breve momento
Levantou-se rastejante
O fado incerto e passional
Um tempo remoto e imemorial
Notas em tom maior, menores
Que ressoam sangue
Tremas verticais plasmáticas
Sinalizam verdades
Sem sentido, no sentido contrário.
Na linhagem sagrada vegetativa
Rosnando entre dentes e vísceras
Surgem os santos das badaladas
Badaladas últimas que anunciam
O início do ciclo neuro-astral
Escatológico e puro
Saliva ácida, puta!
Devaneios, circos e caviar
Dom Quixote de la muerte
O caos das calmarias
Tromba num cristo pálido
Ou mais, demasiados excêntricos…
Ou religiosos e traumas

Marcelo Belini

Inveja natural

•Abril 26, 2008 • Deixe um comentário

Amo a natureza por tudo aquilo que ela perpetuou
Entretanto muito a odeio pelo muito que ela te invejou
As estrelas no céu num patamar onde não podemos alcançar
Apenas copiaram a verdadeira luz que resplandece do teu olhar
As rosas que exalam sua fragrância como de costume
Mal sabem elas que, na verdade exalam teu perfume
A mais bucólica paisagem tomada pela neve
Apenas refletem a delicadeza e a brancura da tua pele
Se a natureza amasse alguém, como alguém como eu ama…
Ela mais uma vez sentiria inveja e passaria a ser chamar Luciana

Marcelo Belini

Cena, cálida cena

•Abril 26, 2008 • Deixe um comentário

Pela rua nebulosa
Paira a solidão
De mãos dadas com a pecaminosa,
Sua alma irmã, a paixão.

A cena me faz recordar Poe
Ou talvez Pessoa
O que fica é o que propõe
O silêncio é o brado que ecoa.

Sthephen king tremeria ao ver…
Freud mais uma vez explicaria…
O que aos olhos faz temer
Ao espírito tece calmaria

E mais uma vez
Quem dera, inúmeras mais
A toga se desfez
Revelando o que não vemos nem se olharmos para trás.

Marcelo Belini

Dizendo assim…

•Fevereiro 28, 2008 • 2 Comentários

Sempre que falo, falo por assim dizer,
E dizendo assim falo o que posso descrever.
Ainda assim posso falar sobre metafísica ou filosofia,
Arquitetura, política ou economia…
Reflexões sem nexo, grego e tupi ou ocultismo,
Ainda posso falar sobre sexo, Idi Amin ou Cristo…
A Palestina clama por socorro,
O magnata de carro do ano e a cultura do morro.
O Sorriso e o olhar da minha amada,
Meu time que sempre ganha e eu que não ganho nada…
Três ou quatro palavras ditadas,
Uma ou duas palavras caladas,
O suficiente para trazer a paz,
Ou a guerra que para muitos tanto faz…

Marcelo Belini

Colorindo a vida

•Janeiro 29, 2008 • 5 Comentários

Para variar, estive refletindo
Sobre a felicidade e a dor.
Ao chegar numa conclusão acabei sentindo:
A vida não passa de uma maldita caixa de lápis de cor!

Imagine-se ganhando um dos dois presentes:
A caixa de lápis ou a própria vida.
Se pudéssemos escolher, qualquer uma não seria uma escolha inteligente.
Entre outras coisas, qualquer coisa seria uma escolha preferida.

O bizarro é saber que nenhuma delas aceita devolução,
A vida por ser vivida…
E a caixa de lápis se devolvida,
Outra caixa igual receberá no ato da transação.

Acabamos por acreditar que vivemos
E pintamos multicromáticamente
Tudo aquilo que percebemos,
Pedindo desculpas com uma borracha veementemente.

A vida se vivida se gasta,
O lápis por linhas tortas se arrasta…
Mas qual dos dois é o mais interessante?
Um suspiro qualquer ou a caixa de lápis jogada na estante?

No final das contas, dá tudo na mesma…
Qualquer coisa, sempre foi uma coisa qualquer…

Marcelo Belini

Delírios…

•Janeiro 28, 2008 • Deixe um comentário

Uma bolsa inorgânica
De mel e pus.
Incandescente lágrima vulcânica,
Véu e capuz.
Bombas nucleares
De açúcar e antraz.
Pensamentos passeiam pelos ares,
Guerras que defendem a paz.
Sexo, vinho e chocolate…
A morte pela vida; a vida que nega a arte.
Delírios e mais delírios…
Uma taça de soda cáustica
Sustentada por lindos lírios…

Marcelo Belini

Dias

•Janeiro 26, 2008 • Deixe um comentário

No mausoléu do meu inconsciente
Desfruto do ideal desconforto
Ingerindo paradoxos inconseqüentes
Contente, saudável, entretanto: morto!

Desenho com neurônios
Famintas presas predatórias
Transfiguro parasitas em hormônios
Do vermelho sangue, velhas histórias…

Todos
Os
Dias
São
Assim…

Quando

Não

Um

Não,

Logo,

SIM!

Marcelo Belini

Estranho acaso

•Janeiro 26, 2008 • Deixe um comentário

Como alguém já dizia:
“Eu conheci uma guria,
Uma guria que eu já conhecia”…
O estranho foi saber,
Que eu era estranho a ela
E ela alegou não me conhecer…
Como almas separas pela espada de Febo,
Insaciável sabor que ainda não percebo.
Dentre tantos paladares,
Do amor, apenas um entre os males…
Olhares, sorrisos, compaixão…
Palavras, sentimentos, interrogação…
Marasmo, alívio, tormentos…
Sangue, lágrimas, juramentos…
E “já era tarde, era quase dia”…
O desespero aumentou e junto com ele a agonia.

Marcelo Belini

Apenas Eu

•Janeiro 17, 2008 • 1 Comentário

Ele era a única pessoa em quem eu confiava
Eu ouvia enquanto ele dizia; palavras pronunciava
Me guiando sempre para o bom lado
Às vezes bendito, outras desgraçado

Entre cruzes e espadas ele morreu
E entre luzes e palavras ele renasceu
Mas afinal, quem era ele?
Em nome de Zeus eu vos digo: Ele era o meu próprio eu…

Marcelo Belini

Miscelânea

•Janeiro 17, 2008 • Deixe um comentário

Divina Comédia Dantesca
Que agora ostenta os risos
Paira no prisma, aconteça
É isto que nós (eu) preciso

Sumário de velhas brumas
Desencadeia o teu véu
Várias, diferentes, mas apenas uma
Galante prataria lançada aos céus

Findada arte poética
Renasça o teu antecessor
Qual reinava na desordem estética
Maltratava seu próprio pudor

Mesmo assim parlamentou
O persa falastrão
Matou deus. Deus Matou
O regresso do mesmo anti-cristão

Marcelo Belini

Vida da minha vida

•Janeiro 17, 2008 • Deixe um comentário

Em algum instante busquei argumentos
E os teus olhos tristes, tão tristes…
Oh, vida da minha vida, eu lamento…

Não sou o que mereces…
Do pedido, nem ao menos uma misera prece
Sei que ainda consigo caminhar
Tendo ao meu lado uma rubro-rosa para me escorar

Fingindo ser aquilo que te dou
Em teu seio não me iludo
Como poeta finjo aquilo que sou…

Se às profundezas infernais precisasse ir
Só para te ver novamente, alegre, sorrir…

Mostro-lhe que ao inferno não iria
Pois minha vida longe de ti é sofrer
Minha vida longe de ti não existiria.

Marcelo Belini

Acompanhadamente só

•Janeiro 17, 2008 • Deixe um comentário

Dos inconstantes crimes naturais
Algo nasce, morrem os umbrais
Castigados ao frio e ao vento
Passam os temporais, ficam os momentos

Pecados maculam-se em farpas
Anjos ejaculam melodias em suas harpas
Pedestal sinistro, antes ambidestro
Do fúnebre adeus, maldito, despeço

Um som trovejante, um raio, outro clarão
Lembro-me do íntimo toque
Antes só do que lançado na solidão

Marcelo Belini