Deus mais uma vez me puniu.
Talvez pela minha total falta de fé.
Tirou-me aquilo que a beleza uniu,
Tornando minha vida um reles cabaré…
Assim sendo, a blasfêmia se levanta…
O herege volta de uma vez em mim,
Gritarei alto enquanto suportar a garganta:
- Pisaram nas rosas! Onde está o meu jardim?!
Se foi só ilusão, não posso afirmar.
Às vezes a ilusão faz porte da vida.
Precisamos de fantasias para continuar…
As flores se foram, ficaram as feridas…
Maldito deus dos versos incontidos,
Faz valer sua vontade sem valor…
Parece que a sua mágoa é para comigo,
Como se isso causasse medo ou tremor…
Ponho-me a desafiá-lo,
Sem saber se realmente existe…
Eu era jovem quando resolvi deixá-lo,
Nem por isso fui mais feliz ou triste…
A inveja de um deus se deve à sua impotência.
Não sabe viver como um simples mortal.
Seus atos a punir aqueles que buscam sua presença,
Deixando aqueles que realmente acreditam, muito mal!
Antigamente achava que fazia coisas erradas
E isso pesava como um fardo estigmatizado.
Hoje eu bem sei que não devo nada
E mesmo assim sou constantemente castigado.
Eu sei pelo que me queixo…
E deus parece ignorar.
Se foi o abraço ou beijo,
Sei apenas do que não vou desfrutar.
Supondo que ele exista,
Que mal fiz a ele?
Em seu sistema absolutista
Eu sei o que algo ele teme…
Marcelo Belini