Prece (Como se fosse “Metade”)
Que a ilusão ainda seja o meu alívio,
Que este alívio consiga se transformar em meu caos
E este caos seja o motivo que me leva ao conforto em teu seio.
De todas as formas de aleivosias, que o amor ainda seja aquilo que mais me agrade,
Se não, aquilo que mais me aproxime de meus iguais.
Que a insanidade seja recompensada com um sorriso de criança
E a esperança desse sorriso seja como uma dor que se apazigua.
Que os deuses todos (ainda que eu não acredite) sejam a porta que se abre para a metafísica,
Pois somos humanidade e engatinhamos…
Que o samba e a valsa se misturem num tom de compaixão e serenidade,
Pois a música ainda é ouvida ao longe
E a vida sem música seria um eterno sono sem sonhos.
E que assim prossigamos com a existência
Que nos anima e ao mesmo tempo nos amputa.
Que minhas preces sejam ouvidas ao menos pela minha eterna,
Eterna amada, eterna distância e eterna dor e alegria.
Que meus sonhos mais elaborados não se transformem em reais alegorias,
Pois perderia assim a felicidade de continuar acreditando.
Poesia, rainha dos céus e pensamentos, seja para sempre reverenciada
E por ela sejam despejadas graças em formas cadenciosas.
De tudo isso que sou, que eu ainda me considere inacabado,
Pois inacabado é a encanto que cativa e surpreende.
Marcelo Belini

Deixe uma resposta