Ode ao Poema Sujo de Ferreira Gullar
Sujo, sujo. Imundo…
Sujo de terra até as entranhas
Palavras de um poeta vagabundo
Formas banais, quase tacanhas…
Versos para aqueles que nada entendem…
Rimas forçadas de uma vida ingrata.
Métricas aos que pouco compreendem…
Como se fizesse versos para o sorriso que se mata.
Escrever com a mão limpa já não tem valor…
Como se vivesse sem se banhar,
A natureza lhe baniu de todo pudor…
Quando se rega, esquece de se molhar.
É difícil ser o melhor quando se é impuro,
Do passado já não se lembra do que passou…
Ao tempo restará o que lhe provir o futuro,
Tempos idos de uma era que findou…
Rimas baseadas em fria carniça…
Cego ainda é o dom do escritor.
Uma vida falsa como se fosse um artista,
Melodias que se fundem ao ódio e rancor.
Marcelo Belini

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