Expressão silenciosa
Gostaria de escrever cada vez mais…
Escrever sobre a chegada e a partida,
Sobre encontros, reencontros e despedidas,
Escrever sobre o absurdo da guerra e a razão paz.
Tentaria me expressar sobre alguma ideologia…
Fragmentos de discursos livres e diretos,
Histórias bem ou mal contadas, sujeitos e objetos,
Expressar pensamentos pautados em filosofia.
Adoraria escrever demasiadamente…
Escrever sobre o tempo e aquilo que me fascina,
Sobre aquilo que não me atrai e sobre a causa divina,
Escrever tudo aquilo que acho sadio e doente.
Tentaria me expressar com uma dose de devoção…
Iniciativas vãs de uma atração sublime,
Expressar tudo aquilo que me eleva e me oprime,
Expressar aquilo que calo ou deixo sem solução.
Gostaria de escrever sobre o erotismo e o sexo…
Escrever sobre o pudor que ainda me visita,
Relações incompletas que esta alma habita,
Sobre fetiche, tara, síndrome e complexo.
Tentaria me expressar como o grito de tudo que morre…
Preceitos aceitos e também aqueles descartados,
Escreveria sobre o certo, o avesso e o errado,
Sobre aquilo que não percebo e aquilo que me ocorre.
Adoraria escrever sobre o círculo e a reta…
Escrever sobre o sorriso, a dor e o que sentia,
Aquilo que em mim, vivo, embora, morto jazia,
Sobre tudo que foi dito, mas que esqueceu o poeta.
Eis que escrevo, sobretudo, carcomido e triste…
Acabei por me expressar em forma de louvor,
Como se tudo isso não se resumisse ao amor,
Tendo em vista a vinda logo após que partiste…
Ao escrever silencio-me…
Marcelo Belini

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