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Livros e Leituras…

Publicado: setembro 3, 2014 em Ensaios

Interessantemente, este texto nasce das reflexões a partir dos questionamentos direcionados a mim e que formulados por alguns de meus alunos, quando estes faziam perguntas do tipo “quais seus autores preferidos, professor?” “Quais livros o senhor indicaria?” “Você só lê livros de filosofia?”… Então na tentativa de tentar elucidar tais demandas, resolvi escrever uma breve síntese daquilo que gosto de ler e também as leituras que me fizeram escolher como profissão “o ato de lecionar” (já parafraseando Paulo Freire) e também me perpetraram a conceber aquilo que penso ser enquanto ser humano.

Começo por percorrer minhas prateleiras de livros a iniciar-se com a Literatura Nacional. Confesso que não é a minha parte preferida de livros (isso talvez, pela minha “formação” na educação básica, onde, de maneira mecânica e torturante, me foram apresentados alguns exemplares de livros escritos originalmente em minha língua pátria). Detenho admiração por escritores como Ruy Barbosa – principalmente seus discursos que chegam a ser, de maneira verborrágica, a mais alta e envolvente verve sofistica que encontrei na “política tupiniquim” – principalmente sabendo de sua influência na organização republicana brasileira.

Lima Barreto se faz presente apenas por um simples motivo: “O triste fim de Policarpo Quaresma” me deixou encantado a partir de seu título – associei de imediato a questão etimológica e também por conta da força estrutural e metalinguística que carrega ao se analisar e fazer menção a língua grega (Policarpo = muitos frutos); outro ponto importante do título é a “Quaresma” que representa o período que antecede a páscoa crista – mal sabendo eles que a própria páscoa é uma comemoração pagã…; sem contar a simpatia atraente que nos norteia ao sermos motivados pela “tristeza” que o título carrega. Tudo isso somado ao nacionalismo doentio do personagem, acaba sendo uma obra a ser, sem dúvidas, estudada.

A lista continua com Machado de Assis, os versos de Manoel Bandeira e Vinicius de Moraes. Patativa do Assaré e Mario Quintana se fazem presentes também – assim como Augusto dos Anjos (e sua loquacidade cientificista) e Álvares de Azevedo. As últimas e mais agradáveis aquisições foram algumas obras sobre estética e poética escritas por Ferreira Gullar – acompanhadas do seu “Poema Sujo”.

Percorrendo os “autores estrangeiros” me deparo com aquilo que me guiou na área de humanas. Os escritos de Charles Baudelaire e Edgar Alan Poe sempre serão lembrados como um início nas “verdadeiras letras” (bem como as histórias em quadrinhos norte-americanas que abriram-me as portas para o mundo das leituras). As palavras de Kafka em especial em “A metamorfose” e em “O artista da fome” e os versos engajados de Walt Whitman me fizeram percorrer pela primeira vez um espanto existencial nunca antes vivenciado (mesmo eu achando que o melhor poeta que já pisou neste mundo seja Rainer Maria Rilke!).

A bíblia – herança da minha infância e educação protestante, que foi lida e relida algumas vezes e hoje é mais um manual intelectivo contra o próprio proselitismo cristão, guardada por consideração e em respeito aos meus avós que me deram em meu décimo aniversário – e outros livros tendenciosos ao imaginário e ao fanatismo religioso também ocupam seu espaço.

Sempre me ocupei de leituras que agradariam o mais boçal aspirante a leitor: “Senhor dos anéis” de J. R. R. Tolkien; “Operação Cavalo de Tróia” escrita pelo autor espanhol J. J. Benítez; as obras de Dan Brown (todos os best-sellers do autor lidos até o momento); “O guia do mochileiro das galáxias” de Douglas Adams; “As crônicas de gelo e fogo” de George R. R. Martin.

Quanto a formação específica nas entranhas da Filosofia, a lista se torna longa. Autores clássicos como Platão (que continuo a fazer analogia ao nascimento do cristianismo) e Aristóteles (com sua perspicácia em relação ao que entendo por ciência atualmente). Dos filósofos do período medievo guardo pouca coisa – exceto por livros de comentadores do período.

Certamente, meu interesse pessoal circunda a filosofia de Schopenhauer, Kant, Montaigne, Sartre, kierkegaard, Cioran, Marx, Bacon, Voltaire e, com toda certeza, Nietzsche (que me acompanhou em todas as formações acadêmicas até então e é merecedor de destaque entre os imortais que pairam em minas leituras – mantenho um bom progresso ao poder sempre adquirir algo novo sobre ele, sabendo que possuo todas as suas obras). A psicanalise freudiana é outro ponto de meu interesse – interesse esse que só aumentou após a compra de todas as palavras publicadas por ele em uma coleção que estimo muito.

Outro ponto que tenho dado grande atenção nos últimos anos é a argumentação ateística em conjunto com a biologia evolutiva com autores como Bertrand Russel (em especial “Por que não sou cristão”), Richard Dawkins (“Deus um delírio”, “O gene egoísta” e “A grande história da evolução”), Sam Harris (“Carta a uma nação cristã”), Daniel Dannett (“A ideia perigosa de Darwin”) e Christopher Hitchens (“Deus não é grande”, “Hitch 22”) – do qual mantenho um estudo sistemático de suas obras e uma certeza quase absoluta de que o mundo se tornou mais ignorante a partir de sua morte em 15 de dezembro de 2011. Darwin e Jean Meslier também enriquecem essa pequena fração significativa da literatura universal.

Não quero me estender muito, pois sei que esqueço grande parte daquilo que acumulo em forma de livros, mas não posso deixar de citar todas as obras em prosa e em verso de Fernando Pessoa e Willian Shakespeare. Toda coleção “Os Pensadores” – essa com certeza indispensável àquele que quer se dedicar à área das Ciências Humanas. Livros de composição histórica (principalmente referentes às guerras) e bibliografia compõem o restante daquilo que considero o começo de um bom acervo particular que também serve de recomendação subjetivista.