Arquivo da categoria ‘Poemas’

Pérolas e porcos…

Publicado: setembro 6, 2014 em Poemas

Falam que para o amor não existe norma…

Disso, com certeza, eu desacredito.

Creio que na verdade só o ódio transforma,

Não importando o que antes fora dito…

 

A raiz de todo o mal não é a dor.

Não é a desesperança e nem a ira.

Nunca foi o rancor,

Talvez seja a hipocrisia que transpira.

 

Fazer-se de cordeiro em pele de leão…

Sorrir desejando a morte…

Maldizer no aperto de mão…

Querer o azar desejando a sorte…

 

Sabendo-se do que se sabe,

A perversidade passa a ser a razão…

Vivendo-se na promiscuidade,

Sentindo-se abraçado na solidão…

 

Lançamos pérolas aos porcos

E sopramos palavras ao vento…

Letras em escritos tortos,

E joias com sabor de lamento…

 

– O porco engasgou e morreu!

Tenho pena ou ignoro?

Antes ele do que eu,

Pois, muitos riem enquanto choro…

 

Marcelo Belini

 

 

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Sobre o Ensino Superior

Publicado: janeiro 14, 2013 em Poemas

É comum os criacionistas entrarem numa universidade ou faculdade e saírem do ensino superior ainda mais criacionistas… – Eis a prova máxima da péssima Educação oferecida no Brasil (e não somente em nosso País).

Subserviência nata

Publicado: outubro 13, 2012 em Poemas

Somente eu posso dizer
Aquilo que sei e observo…
Tudo que desfaz o anoitecer,
Transforma o escravo em servo…

Quem me dera revelar,
O demônio oculto dentro de mim…
O puro se colocaria a orar,
Uma pura oração que não teria fim…

Pensamentos feitos de sangue e luta,
Erigidos de forma tosca e real…
Por entre guerras, batalhas e disputas,
Onde só existe o bem enganoso e desleal…

Uma indiferença crua e constante,
Que assola, vinga e corrói…
Gira de maneira vil e delirante,
Ao lado daquilo que une, finge e destrói…

Um sentimento qualquer e fútil,
É levado às últimas sequelas…
Fazendo parecer valioso e útil,
Até a mais rude das quimeras…

No fim tudo se acaba em fantasia,
Num baile intelectualmente fraco…
Não havendo riso onde se ria,
Lambe-se o chão, pisa-se no prato…

Marcelo Belini

Livro dos tempos

Publicado: outubro 5, 2012 em Poemas

Nunca me faltou coragem,
Como me falta hoje em dia…
O olhar que minava a pilhagem,
Já não esboça valentia…

O habitual me é ausente,
Assim como o real se faz em sonho…
O sobrevindo se faz presente
Nas rotas linhas que componho.

Que motivação tenho eu,
Se a própria vida me desampara?
O encanto que se acometeu
Não faz jus ao medo que acarretara…

O livro dos tempos se fechou,
Pelo visto para todo o sempre…
Sem o começo que arriscou,
Nem um final surpreendente…

Ainda ouço o marchar
Que outrora me conduzia…
Um alento a golpear,
As trevas que rompem o dia…

Marcelo Belini

Eparrei Iansã!

Publicado: setembro 19, 2012 em Poemas

A vigília é um consolo;
Uma vã esperança…
É o sorriso na face do tolo,
E o tropeço trôpego na criança…

Agora o olhar se faz furtivo,
Uma sombra daquilo que era…
Mesmo com um semblante altivo,
O júbilo é construído na espera…

A nostalgia é sinônimo de razão,
E a razão passa a ser sentimento…
Em qualquer ato falho que não é em vão,
O medo acaba por conduzir o momento…

O tempo afasta a perspectiva
Daquilo que sempre anseio…
O fastio passa a ser a medida
Daquilo que me separa do teu seio…

Marcelo Belini

O que é a beleza?

Publicado: setembro 6, 2012 em Poemas

O que é a beleza?
Um dia quente ou uma noite fria?
O frescor da natureza,
Louvor ou heresia?

Para uns apenas um olhar…
Para outros o peso da traição…
É a parada ou o caminhar…
Seria equilíbrio ou tentação?

Poderia ser uma conversa branda,
Aquilo que se espera e não se tem…
Um descansar em uma varanda,
Ou a pessoa amada que nunca vem…

Se ela for apenas pregos e cruz
Ou sofrimento que agora tanto faz…
As últimas palavras emanadas de Jesus
Ou o sorriso encantador de Satanás…

A beleza bem poderia ser uma mulher…
Seria ela então, Rainha!
A alegria de quem com ela estiver
E a satisfação que agora não é minha.

A beleza poderia se resumir
Em apelações já mortas…
Mesmo que se venham abrir
As já velhas e carcomidas portas…

Beleza que carrega os céus,
Que inunda aquele que ama,
Traz consigo o gosto cruel
E a ardência daquele que clama.

É a sensação estranha…
O sorriso e a dor…
O choro de quem apanha
E o sonho do sonhador…

Marcelo Belini

Sobre o sentido ou a falta dele

Publicado: setembro 3, 2012 em Poemas

É interessante notar e avaliar as variações pelas quais qualquer ser humano tende a passar no decorrer de sua breve existência seja ela motivada por uma passagem traumática ou apenas pela necessidade ilusória de mudanças que o limitaria e o transformaria em um esboço caricatural daquilo que ele permanece sendo.
Quando menciono as motivações existenciais traumáticas, ou seja, aquelas que ocorrem como uma experiência negativa de sua própria consciência, refiro-me às situações que, de uma forma ou de outra, agem como um estigma, elevando o sujeito ao ápice da contemplação estética ou ao inferno e tormento de sua mesquinhez interiorizada.
Ideais frágeis como uma pequena chama em uma tempestade se fazem presentes constantemente e se modificam de maneiras abruptas e marginalizadas invariavelmente. Posso citar como exemplos a ideia de liberdade, felicidade, beleza, poder, justiça dentre outros tantos modelos de mortificações intelectivas. O que acabamos por esquecer é que o homem por natureza permanece sendo egocêntrico e narcisista. E não seriam esses seus direitos naturais inalienáveis e a base de toda a sua chamada “natureza humana”? Não teria a humanidade todo o direito de sê-la individualista e individualizada?
O meu entusiasmo compreende a ironia maldosa que norteia a linha tênue entre o amor e o ódio. Só quem já passou por algo semelhante (e não menos subjetivo) esteve presente em sua própria destruição e em seu próprio sepulcro existencial, mas, também, teve a oportunidade de ser arrebanhado pela sonolência de seu próprio renascimento para com o mundo. Dos dois, tenho maior receio do primeiro. O amor é a forma mais precária, mórbida e injusta de nos vermos destituídos de humanidade e, através dele, podemos ver momentaneamente aquilo que o somos por meio de uma exteriorização dos nossos atos em detrimento a outro sujeito (que também carrega sua própria subjetividade, o que ocasiona um embate injusto de possibilidades, pois, o que temos é apenas uma parcela de pensamentos e anseios decorrentes de um processo como tal). Se o analisarmos por meio da neurociência o perceberemos como uma simples reação química metabolizada por passagens vivenciadas; se o pegamos do ponto de vista psicológico, podemos nos ater nas divagações que extrapolam apenas o ocorrido estético dos fatos, partindo para uma possibilidade mais acentuada na sexualidade humana; antropologicamente, temos a hipótese de um desenvolvimento estrutural humano; se o discurso for pautado na sociologia, o que teremos é a motivação ocasionada por um contrato social pré-estabelecido e relativizado. A impressão que fica é que com tantas presunções, o que nos resta é um passeio ríspido pelo niilismo (que por definição, é fraco em suas práxis, tornando-o, de certo modo, infrutífero e áspero para com suas finalidades). Com o ódio não seria diferente (ele apenas possui a vantagem da não frustração em caso de falhas posteriores).
Em todos estes casos (inclusive o amor e o ódio), o sentido parece ser algo distinguível da determinação de algum tipo de valor: valor de verdade, no caso das proposições, valor moral, no caso de ações, valor estético no caso das emoções ligadas á beleza. O próprio sentido dessas coisas pode ser entendido como o conjunto de suas condições de valor, de qualquer tipo que seja, e aí, mais uma vez, nos deparamos com uma espécie de determinismo fundamentado no subjetivismo puro e particular. Por isso, neste ponto, sou a favor da tese cética que diria que não é possível descrever de maneira isenta o sentido de uma condição pensamental humana sem já atribuir-lhe valores. Neste caso, à primeira vista, a crítica até que pareceria mais procedente, dada a peculiaridade dos objetos analisados até o momento. Afinal de contas, existências humanas não são meras proposições onde se espera uma conclusão perfeitamente lógica em comum acordo com seus enunciados.
Não seria melhor então nos deixarmos tomar por aquilo que os filósofos definiram como absurdo? Não compreender é melhor que compreender tacanhamente ou equivocadamente – Os mitos não são construídos assim? Lançar-nos no desfiladeiro do instinto parece ser a única salvação banhada em bálsamos para o sentido inexistente da vida. Se a razão humana não pode lacrimejar em um sentido pleno, que razão teriam as lágrimas para rolarem na face de quem já não espera nada de si mesmo ou de outros seres humanos?
No final das contas, tudo é vazio, tudo é vácuo. Tudo é nada…

Marcelo Belini